Reforma?

Martinho Lutero

Imagem: Historical Figures Foundation

Quando o Espírito Santo suscita homens e mulheres para a edificação e restauração da Igreja, nós os reconhecemos, basicamente, por três características: santidade de vida, docilidade de espírito e firme obediência. Tome-se como exemplo São Francisco de Assis… ao deparar-se com o pedido de nosso Senhor – que, do crucifixo da Igreja de São Damião disse: “Francisco vai e repara a minha igreja que, como vês está em ruínas” –, deu-se por inteiro, assumindo a radicalidade da pobreza evangélica, servindo a Igreja e dando origem a uma vasta família espiritual. Este grande santo transformou a vida da Igreja a partir, e não apartado dela.

Por outro lado, existem os orgulhosos, os falsos visionários, que instigados mais pela soberba do que pelo sincero desejo de agradar a Deus, colocam-se como rebeldes, causadores de divisão, escândalo e intrigas; são aqueles de quem fala São Paulo: “Rogo-vos, irmãos, que desconfieis daqueles que causam divisões e escândalos, apartando-se da doutrina que recebestes. Evitai-os! Esses tais não servem a Cristo, nosso Senhor, mas ao próprio ventre” (Romanos 16,17-18).

Além das características já mencionadas (santidade de vida, docilidade de espírito e firme obediência), os santos e autênticos restauradores da fé são conhecidos pelo amor a Deus, que é o fundamento, a origem de todas as suas obras… amor manifesto sobretudo em obras, mas também em palavras.

Tomemos um exemplo contrário ao ideal de autêntica restauração eclesial – que sempre impele para a unidade da Igreja – sob o influxo da graça divina: Martinho Lutero, o “grande reformador” alemão. O que disse e fez este homem tido por muitos como “profeta” e “homem de Deus”? Vejamos algumas de suas citações…

Sobre o diálogo entre Cristo e a samaritana, sobre a absolvição da mulher adúltera e sua relação com Maria Madalena, disse:

“Cristo Adúltero. Cristo cometeu adultério pela primeira vez com a mulher da fonte [do poço de Jacó] de que nos fala São João. Não se murmurava em torno dele: “Que fez, então, com ela? “Depois, com Madalena, depois, com a mulher adúltera, que ele absolveu tão levianamente. Assim, Cristo, tão piedoso, também teve que fornicar, antes de morrer” (Lutero, Tischredden, Conversas à Mesa, Nº 1472, edição de Weimar, Vol. II, p. 107, apud Franz Funck Brentano, Martim Lutero, Ed Vecchi Rio de Janeiro 1956, p. 15).

Tratando da questão do pecado, disse:

“Se és um pregador da graça, então pregue uma graça verdadeira, e não uma falsa; se a graça existe, então deves cometer um pecado real, não fictício. Deus não salva falsos pecadores. Seja um pecador e peque fortemente, mas creia e se alegre em Cristo mais fortemente ainda…Se estamos aqui (neste mundo) devemos pecar… Pecado algum nos separará do Cordeiro, mesmo praticando fornicação e assassinatos milhares de vezes ao dia” (American Edition, Luther’s Works, vol. 48, pp. 281-82, editado por H. Lehmann, Fortress, 1963. ‘The Wittenberg Project;’ ‘The Wartburg Segment’, translated by Erika Flores, de Dr. Martin Luther’s Saemmtliche Schriften, Carta a Melanchthon, 1 de agosto de 1521).

Ainda sobre o pecado, o enaltecia em detrimento das boas obras (uma autêntica manifestação da Sola Fide?):

“Estas almas piedosas que fazem o bem para chegar ao céu não somente não o alcançarão, como serão arranjados entre os ímpios; e importa mais em impedi-los de fazerem boas obras que pecados” (Wittenberg, VI, 160, citado por O’Hare, in “The Facts About Luther”, TAN Books, 1987, p. 122).

No intuito de sufocar as revoltas dos camponeses, disse:

“Assim como as mulas não se movem até que seu dono lhe puxe as cordas, assim o poder civil deve conduzir as pessoas comuns, açoitá-los, enforcá-los, queimá-los, torturá-los e decapitá-los, para que aprendam a temer o poder estabelecido” (El. ed. 15, 276, citado by O’Hare, em ‘The Facts About Luther, TAN Books,1987, p. 235).

“O camponês é um porco, e quando um porco é abatido, ele está morto, e da mesma forma os camponeses não pensam sobre a vida futura, pois do contrário se comportariam de outra maneira” (‘Schlaginhaufen,’ ‘Aufzeichnungen’ p. 118, citado ibid., p. 241).

Referindo-se à adulteração bíblica em Romanos 1,17 (onde acrescentou a palavra “somente” na frase “O justo viverá pela fé”), disse:

“Se um papista lhe questionar sobre a palavra ‘somente’, diga-lhe isto: papistas e excrementos são a mesma coisa. Quem não aceitar a minha tradução, que se vá. O demônio agradecerá por esta censura sem minha permissão” (Amic. Discussion, 1, 127,’The Facts About Luther,’ O’Hare, TAN Books, 1987, p. 201).

Eis as diferenças: os santos unificam, os hereges separam. Os santos reconstroem, os hereges destroem. Os santos amam, os hereges odeiam. Enfim, os santos crescem em virtudes, os hereges caem de pecado em pecado. Os homens são conhecidos por suas obras; e a divisão da Cristandade foi a “obra”, o “legado” dos reformadores.

Disse nosso Senhor que a boca fala do que o coração está cheio (São Mateus 12,34). De que estava cheio o coração de Lutero quando proferiu tais palavras?

Quem puder entender, entenda…

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